Rochas serão estudadas graças à lei municipal de geoconservação que obriga empresas a contratar especialista caso encontre material com potencialidade paleontológica.

Estão sendo analisados no Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), em Uberaba, dois blocos de pedra que contém fósseis de dinossauros. Os materiais foram extraídos de uma mineradora e entregue para pesquisa na última quinta-feira (14). Essas rochas são semelhantes a outras que datam entre 70 e 62 milhões de anos atrás, onde já foram encontrados fósseis importantes como o Uberabatitan Ribeiroi.

Os blocos, um de calcário e outro de arenito, contêm fósseis de dinossauros, e um outro tem fragmento de dente. Segundo a diretora do CCCP, Stela Mariana de Morais, o material é proveniente da mineração de calcário que fica com um ponto de extração e moagem à esquerda da Rodovia BR-050, a aproximadamente 50 quilômetros da área urbana de Uberaba sentido Uberlândia. O próximo passo, de acordo com Stela, é a retirada dos fósseis dos blocos para pesquisa.

Conforme análise técnica prévia, o material é constituído por rochas fossilíferas semelhantes às rochas encontradas na mesma camada geológica onde são explorados os fósseis em Peirópolis, denominado Formação Marília, que é datada entre 70 e 62 milhões de anos atrás.

Essa mesma camada geológica é portadora de fósseis importantes como o Uberabatitan Ribeiroi, Uberabasuchus terrificus, Uberabatrachus Carvalhoi, Peirossauros Tormini, Itassuchus Jesuinoi, Cambaremis Langertoni e vários outros fósseis que compõem a paleobiota do cretáceo continental brasileiro na região do Triângulo Mineiro.

Fragmento de dente — Foto: Stela M. de Morais/CCCP

Lei de geoconservação
Ainda conforme Stela, Uberaba conta com uma lei de geoconservação atuante. Essa lei prevê que toda e qualquer área dentro do território de Uberaba, ou seja, dentro do território do Geoparque Uberaba, entre os 4.500 quilômetros quadrados, em que houver potencialidade paleontológica, o empreendedor tem que contratar um especialista para fazer um diagnóstico.

Caso o diagnóstico aponte que há uma possibilidade de se encontrarem fósseis, o empreender é obrigado a contratar uma empresa, ou fazer uma associação com uma universidade, para que se faça o programa de monitoramento e salvamento.

“Assim, esse fóssil que chegou hoje é resultante desse programa de monitoramento e salvamento paleontológico que já rendeu fósseis importantíssimos.”, disse.

Fonte: G1