A atividade de mineração que deu origem ao nome do território de Minas Gerais no período do Brasil Colônia e que tanto movimentou a economia do estado, também deixou marcas indeléveis na memória do povo mineiro. O dia 25 de janeiro de 2019 marcou para sempre a vida dos mais de 20 milhões de mineiros e também assombrou o mundo.

O rompimento ocasionou a morte de 270 pessoas, sendo que 262 foram localizadas nas buscas e identificadas por perícia. Outras 8, que continuam desaparecidas, são a razão da continuidade da maior operação de busca e salvamento da história. A operação Brumadinho, na próxima quinta-feira (21), completará seu milésimo dia de trabalhos contínuos na Base Bravo.

Nesta data, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) irá relembrar o diligente trabalho empregado até aqui, as fases da operação, bem como seu progresso na busca pelos desaparecidos e a renovação do compromisso firmado pelo governador Romeu Zema e pela corporação de persistir nas buscas para oportunizar às famílias a chance de encerrar essa fase de forma mais humana.

Relembrando os fatos

O rompimento da barragem de rejeitos de minério B1, localizada na Mina Córrego do Feijão no município de Brumadinho, às doze horas e vinte oito minutos daquela sexta-feira, mudaria definitivamente a vida de centenas de famílias e milhares de pessoas que estiveram diretamente envolvidas.

Um volume de cerca de 12 milhões de m³ de rejeito de minério percorreu sobre uma área de aproximadamente 290 hectares, sobre estruturas administrativas e operacionais que estavam em pleno funcionamento, além de propriedades residenciais e comerciais, sítios, plantações, mata nativa e rios.

O rejeito da Barragem deslocou-se ao longo do leito do Ribeirão Ferro-Carvão (Córrego do Feijão), atingindo estruturas durante o percurso, além da vegetação da área, provocando considerável número de vítimas da comunidade local, de turistas e animais. Por fim, a lama de rejeito atingiu o Rio Paraopeba a uma distância de 9 km da origem.

Minutos após o rompimento da Barragem B1, o CBMMG recebeu dezenas de ligações telefônicas solicitando o empenho dos militares em ações de busca e salvamento das vítimas do rompimento. Imediatamente, foram acionados empenhos múltiplos de recursos de todas as unidades do CBMMG da região metropolitana de Belo Horizonte, dando início, então, à maior operação de busca e salvamento da história.

Trabalho integrado

Apoio externo: somente considerando o apoio de outros Corpos de Bombeiros, 16 unidades da Federação apoiaram a operação, além da Força Nacional, Forças Armadas e Exército de Israel, todos sob a coordenação do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Estratégias de busca /Fases da operação

A estratégia um foi implementada pelas primeiras equipes que chegaram ao local. As buscas foram realizadas ininterruptamente com emprego de todos os recursos operacionais na área do rejeito, devido às chances de encontro de sobreviventes. Nesta fase, foi necessário intenso controle e manejo do grande número de corpos encontrados, além de grande empenho de equipes especializadas, aeronaves e cães.

A fim de otimizar o gerenciamento e o emprego dos recursos da Operação Brumadinho, implementou-se ainda nesta fase o Sistema de Comando de Operações (SCO), ferramenta gerencial utilizada como o mecanismo de gerenciamento da operação. Esta ferramenta permite que seja adotada uma estrutura organizacional integrada e padronizada, com a distribuição das principais tarefas e atribuições da operação de resposta entre os agentes empregados e também que o trabalho dos diversos órgãos empenhados ocorra de forma organizada e eficiente.

A estratégia dois foi implementada no quarto dia após o rompimento da Barragem, priorizando a buscas de corpos e segmentos na superfície do terreno. Durante esta fase houve a construção e recomposição de acessos às áreas atingidas, bem como a demolição de estruturas colapsadas pela lama de rejeitos. Houve também a integração de 55 órgãos públicos municipais, estaduais e federais, com objetivo de fornecer melhor resposta ao desastre.

Findadas as buscas superficiais na mancha de rejeitos e áreas adjacentes, a estratégia três foi implementada no quadragésimo primeiro dia de Operação. Nesta fase, houve uma completa mudança do contexto operacional, diante do início de buscas de corpos e segmentos soterrados pela lama, necessitando-se do emprego de maquinários pesados para a escavação das áreas secas.

A quarta estratégia adotou como parâmetro o cruzamento de dados, que definiu as áreas de maior interesse, potencializando a utilização de maquinários pesados para a realização de escavações pontuais e profundas. Em determinadas áreas, as escavações foram realizadas até a cota zero, ou seja, todo o rejeito do local foi vistoriado até evidenciar o solo natural característico existente, antes do rompimento.

A quinta estratégia foi implementada diante da constatação de que cerca de 92% dos corpos e segmentos localizados durante as buscas haviam sido encontrados a uma profundidade de até três metros. Desta forma, definiu-se como critério a realização de buscas em extensão, por meio de escavações na camada inicial, em até três metros de profundidade.

Interrupção pela Covid

Devido à pandemia provocada pela Covid-19, no início do ano de 2020, as buscas da Operação foram interrompidas do dia 21 de março ao 26 de agosto. No entanto, para não prejudicar o andamento dos trabalhos, houve a otimização dos Sistemas de Informações Geográficas (GIS) e o aumento do controle dos rejeitos nos Depósitos Temporários de Rejeito (DTR), com uso de tecnologias que permitiram a quantificação do volume de rejeito vistoriado ou pendente de vistoria, sendo implementada desta forma a sexta estratégia.

A sétima fase da operação foi marcada pelo enfrentamento ao período chuvoso, na qual foram instaladas tendas gigantes para garantir a existência de material seco a ser vistoriado nos intervalos de estiagem, enquanto obras de drenagem nas frentes de trabalho eram feitas simultaneamente. Nesta fase, parte do rejeito, que é mantido coberto por lonas em pátios levemente inclinados, chamados de área de espera, são vistoriados sem a interferência das chuvas.

A sétima fase foi uma das mais longas e neste intervalo a operação teve que ser interrompida parcialmente pela segunda vez, em função da pandemia. A parada ocorreu em março deste ano e a retomada se deu no mês de maio para dar continuidade a sétima fase e planejar a implementação da oitava que ainda está em andamento. A última fase implementada consiste na utilização de quatro estações de busca na área denominada TCF, onde funcionava o Terminal de Carga Ferroviário da mineradora. Mais detalhes sobre esta etapa serão detalhadas na coletiva de imprensa no dia 21/10, em Brumadinho.

Compreendendo o desastres

Volume de rejeito: aproximadamente 10,5 milhões de metros cúbicos, o que equivale a cerca de 4,2 mil piscinas olímpicas de rejeito (uma piscina olímpica padrão tem 2.500 metros cúbicos). Com a quantidade de rejeito, seria possível fazer 4 pirâmides de Quéops (maior pirâmide do Egito, com volume de construção de 2.574.466 metros cúbicos) A área atingida representa 10 quilômetros lineares e 32 km de perímetro da mancha. Isso equivale a 1,6 a área da Lagoa da Pampulha, por exemplo. Sem planejamento o sucesso da operação estaria fatalmente comprometido. Atualmente a área de busca envolve
aproximadamente 290 hectares. 

Números da operação
Total de vítimas: 270
Desaparecidos: 8
Duração: 1000 dias
Efetivo empenhado: 4.142, aproximadamente 70% do efetivo na ativa.
Efetividade da operação: 97,03 %