Nesta terça-feira (9/11), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu em flagrante um homem, de 34 anos, pelo crime de armazenamento de conteúdo pornográfico infantil. O suspeito era professor de Educação Física em um colégio tradicional de Belo Horizonte e, conforme apurado, teria usado um perfil falso em rede social para manter contato com as vítimas, meninas entre 9 e 12 anos de idade, e solicitar imagens delas nuas, inclusive sob ameaça.

As investigações, conduzidas pela 2ª Delegacia de Investigação de Crimes Cibernéticos, começaram em 2019. Segundo o delegado Magno Machado, algumas mães de alunas da mesma escola procuraram a unidade policial e relataram que suas filhas estavam recebendo pedido de envio de imagens íntimas. Porém, naquele momento, não havia a menor suspeita de quem estaria por trás do perfil da rede social.

Durante as apurações, os policiais civis da unidade chegaram ao suspeito. “Conseguimos identificá-lo por meio das técnicas investigativas e foi representado pelo mandado de busca e apreensão na residência dele, que culminou, hoje, na operação policial e na prisão em flagrante do investigado”, pontua Machado ao revelar que “foi uma investigação que demandou muito trabalho e muito empenho de toda a equipe”.

Buscas

O mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência do investigado, que mora com os pais, no bairro União, na capital. Segundo a equipe responsável pelo cumprimento da ordem judicial, inicialmente, o suspeito negou ter material dessa natureza. Já na delegacia, com a análise preliminar dos dispositivos arrecadados, os policiais se depararam com um expressivo volume de fotos de pornografia infantil, e o homem acabou confessando que reúne esse tipo de conteúdo desde que tinha 15 anos.

Ainda de acordo com a equipe, o suspeito alegou que já teria sido abusado sexualmente na infância e disse que não compartilhava as fotos, apenas as possuía para “saciar seus desejos”. O delegado Delmes Feiten, que coordenou a operação, explica que o suspeito foi autuado em flagrante por armazenar conteúdo de pornografia infantil. “A pena é de quatro anos e tem agravante por possível violação de dever do cargo (professor). Ao final do flagrante, também será representada pela decretação da prisão preventiva do investigado”, adianta.

Desdobramentos

O material apreendido na casa do suspeito será periciado. O chefe do Departamento Estadual de Combate à Corrupção e a Fraudes, Julio Wilke, explica que o trabalho investigativo prossegue para verificar se houve a prática de outros crimes. “Vamos dar continuidade às investigações a fim de aclarar se ele participa de alguma organização criminosa voltada para difusão, compartilhamento (de material pornográfico infantojuvenil), ou de alguma rede de pedofilia, bem como se houve, por parte dele, alguma concretização de abuso”, informa o delegado.

A polícia acredita que dezenas de meninas tenham sido vítimas do suspeito. O chefe da Divisão Especializada de Investigação aos Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor, delegado Renato Nunes Guimarães, ressalta a importância do monitoramento das atividades de crianças e adolescentes na web para evitar crimes. “A prevenção é a melhor forma de não deixar que casos assim ocorram, principalmente, os responsáveis estarem alerta com o que os filhos estão compartilhando e com quem estão conversando na internet. Essa prevenção já inibe que o caso venha a ocorrer”, conclui.

O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional e está à disposição da Justiça.